Sentou no carro, tirou seu terno e jogou no banco de trás, olhou no seu novo iPhone as horas, brilhou os olhos ao relembrar que tinha feito a aquisição do aparelho tão desejado no dia anterior. Olhou pra frente, pensou se faria ou não, se cometia uma insanidade, ou não, de fato, ele o fez.
Ligou o carro, ligou o som, abriu as janelas, botou o novo óculos escuro da Boss, engatou a primeira, e caiu na estrada. Parou para almoçar, descansou, e estrada novamente, pensando e pensando o que faria, por que iria, com que finalidade estava indo para aquela tão indesejada cidade, da qual tinha prometido nunca mais ir, exitou por um momento, parou o carro no acostamento daquela estrada reta, com pastos e plantações por todos os lados, acendeu um cigarro, aumentou o som, saiu do carro, olhou pro céu e descobriu o que estava indo fazer.
Ao chegar na cidade, passou na casa de parentes, para tomar uma água, mesmo sem saber o por que de estar naquela casa, que também, tanto prometeu não voltar. Ao ser perguntado se por ali ficaria, se por ali dormiria, ele respondeu:
- "Não"
A incógnita se proclamou dentro da residência, afinal, o que ele estava fazendo ali, e ali não ficaria?!
Ele se despediu, disse que no dia seguinte, antes de ir embora, passaria para um breve tchau, entrou no carro, subiu a rua, pegou uma grande avenida seguiu com um pensamento fixo, de conseguir um número, custe, o que custar.
Ao chegar o destino, ele colocou seu terno, pegou seus apetrechos, e adentrou no estabelecimento, do qual todos são ignorantes e só o conheciam como o garoto da cidade que fazia e acontecia, mas não conheciam o homem de negócios, bem sucedido e charmoso. Após breve recepção, foi direto ao assunto, puxou um dos filhos da familia, o que ele mais possuia contato, pagou-lhe uma cerveja, e foi direto ao assunto:
- "Eu quero que você me consiga o número da Amanda"
E o rapaz ri, e diz:
- "Você sabe que ela tá noiva! Pra que você quer falar com ela?"
Impaciente o homem de negócios resolve usar suas técnicas de persuasão.
- "Tome, isso é a primeira parte, você consegue o número, não faz perguntas, não conte a ninguém. Quando eu receber o número, te dou mais dinheiro."
O rapaz fica quieto, analisa o dinheiro, e mesmo sem precisar, por se de familia 'rica', ele é ganancioso, e possui fortes contatos. Ele aceita a proposta, e diz que iria fazer algumas ligações.
Ele largou o copo de cerveja, sentou numa mesa, pediu um scotch, acendeu um charuto e esperou, até que o rapaz retornasse com seu número, e o tempo era inimigo dele, já eram quatro da tarde, de uma quinta feira, e ele ainda tinha muitos lugares para ir.
O rapaz retorna, mostra sua mão, cheia de calos pelo trabalho, e pede a segunda parte do dinheiro, o homem pede pelo número, e ele não precisa desconfiar, sabe que a fonte é segura, o número, é aquele. Ele paga, aperta a mão do rapaz, entra no carro, e pega a estrada novamente, rumo a próxima cidade, onde mora, sua ex-noiva.
Ao chegar lá, ele não sabe exatamente onde é a casa de sua ex-sogra, onde está morando Silvia, chega na região já conhecida, vai e volta por algumas ruas, até parar e perguntar a uma velha senhora do interior, sentada na varanda, olhando o movimento e fofocando com as vizinhas. Pergunto:
- Boa tarde! A senhora sabe me dizer onde é a casa da Silvia?
- Claro jovem! é a da esquina aqui de cima!
- Obrigado pela informação!
E ao entrar no carro, o homem já escutou o burburinho das vizinhas, querendo saber quem é o tal misterioso homem de carro do ano, utensílios caros, aparência impecável, mas isso, não passa de assunto de interior.
Ao chegar na porta da casa, escuta barulhos de criança correndo, ele desce do carro, encosta rente a porta, do passageiro, bate palmas, uma senhora de idade aparece, simpática-mente arrogante pergunta:
- SIM?
Calmamente ele identifica a ex-sogra, mas se faz de desconhecido.
- Por favor, gostaria de falar com a Silvia.
Simpática-mente ela responde:
- ...
E saiu andando, gritando com as crianças. Espero por alguns minutos, até que ela aparece na porta, olhava para ele com olhar desconfiado, sabia que o conhecia, mas não conseguir notar tamanha mudança, por fim, ela o reconheceu.
- Olá Silvia.
- Olá...
- Gostaria de te convidar para jantar hoje a noite, está disponível?
- Claro! Mas tenho que...
- Peça para sua mãe cuidar de seu filho, só tenho essa noite, e gostaria de te levar a alguns lugares. Te pego as oito?
- ... Sim! Claro!
Ele friamente, vira as costas, acende um cigarro, entra no carro, e pega a estrada, de volta a cidade anterior.
Ao chegar, ele vai direto para o hotel, o melhor da cidade, onde já passou diversos músicos e jogadores de futebol, pede o melhor quarto do hotel, sobe, deita um pouco na cama, toma um longo banho. Ao sair do chuveiro, ainda de toalha, ele pega o número da Amanda, e resolve ligar.
- Alô?
- Amanda?
- Sim, quem é?
- Flávio.
- Você? err...Tudo bem?
- Sim! Tudo ótimo. Alias! Gostaria de convidar você e seu noivo a jantarem comigo e minha noiva, o que você acha? Estão disponíveis?
- Olha Flávio, você sabe que...
- Eu insisto! Farei uma viagem longa, e por uns bons anos você não ouvirá falar do meu nome.
- Ok, conversarei com meu noivo, se pudermos ir, iremos!
- Perfeccto! Não precisam se preocupar com a conta, hoje, eu pago.
Ele jogou o celular na cama, deu um sorriso, olhou para o espelho, começou a usar todos os produtos de beleza que ele se queixa de serem poucos e caros. Na cabeça dele, se passa diversas situações diferentes para a noite que vem a frente, nem ele mesmo entende o plano dele, e qual é a moral disso tudo, ele só sabe que, ele já começou, ele terminará.
As oito, ele estava impecável-mente arrumado, parecendo um galã italiano em uma premiere de Cannes. Silvia estava pronta, linda, usando um vestido que ele havia dado a uns anos atrás, cabelos soltos, maquiagem de terceira, mas, quem liga?! Eles entraram no carro, ele ligou um som mais ambiente, baixo, perfeito.
- Onde vamos?
- A um restaurante da cidade ao lado, jantaremos com um casal de amigos, conhecidos antigos.
- Ok.
Metade do trajeto entre as duas cidades, eles ficaram quietos, aproveitando a boa música. Até que ela resolve perguntar por que da visita inusitada:
- Mas então, por que a visita surpresa?
- Nada demais, estava por perto, resolvi parar.
- Ah. E quem são os amigos?
- Amigos...você vai gostar.
E abriu um sorriso.
Ao chegar ao restaurante, solicitou ao maitrê a mesa reservada, e assim foram designados até o melhor ponto do restaurante, com vista para a avenida, para a cozinha e a todos que estavam no restaurante.
Silvia foi até o banheiro, e enquanto selecionava um vinho, seu celular tocou, era Amanda, e por um breve momento ele achou que ela não viria, que ele não tinha sido convincente, ou de fato, ele não tem mais encantos sobre ela. Ele atendeu:
- Olá.
- Oi, sou eu. Que restaurante estão?
- Villas
- Ok, estamos chegando.
Ele desligou, aliviado por ela vir, e em pânico momentâneo, por que ela estava vindo! Silvia voltou do banheiro, sentou ao seu lado e pegou em sua mão, abriu um sorriso, como se fossem um casal apaixonado, e ele mantém em sua mente, "Ela é a sua ex-noiva", por repetidas vezes. Ele seleciona um vinho ao seu gosto, degusta, aprova, e mantém a garrafa. Pede uma jarra de água, por que, afinal, pedir que numa cidade de interior, um restaurante tenha a mesma finesse de um da cidade grande, é pedir demais, mas acontece.
Quando a água chegou, Amanda e seu noivo chegaram juntos, seu coração travou, assim como ele percebeu que o dela também, o segundo de susto pareceu um ano de pânico, levantou, comprimento-os, puxou a cadeira para ela sentar, mesmo antes de o noivo dela o fazer, e Silvia lança um olhar reprovando, afinal, para ela, ele não puxou a cadeira.
Passado as apresentações, Silvia pergunta por que da escolha "Vinho", nesse momento ele cruza olhares com Amanda, e ele lembra que ficou devendo tomar uma garrafa com ela, anos atrás, e brevemente explica a Silvia:
- Velha tradição...
Não convencida, esmaeceu na cadeira, até pedirem a comida, e começarem a conversar sobre qualquer coisa. Passado algumas horas de diversão, risadas e comida, Amanda se retira para ir ao banheiro, ele sabe que essa é a hora, não sabe o que vai fazer, não sabe como, mas, vai tentar, afinal, é para isso que ele veio, por isso ele esperou tantos anos a fio. Alguns minutos após a saida de Amanda, ele se levanta, ensaiando um "vinho demais" e se retirou ao banheiro. Ao chegar nas portas cruzadas, ele deu de frente com Amanda, que ficaram se olhando por alguns segundos, ela se posicionou para sair, e ele agilmente segurou seu braço suavemente...
- Fica comigo essa noite!
- Você tá maluco, nós não temos mais nada, acabou, ficou para trás, e você tem noiva!
- Fica comigo essa noite! Essa é a ultima vez que você provavelmente vai me ver na sua vida, e eu não posso perder essa oportunidade, nós merecemos isso, e ela não é minha noiva, é ex-noiva!
- Eu sou noiva, amo ele...
- ...igual você amava anos atrás? Olhe, quando voltar, pagarei a conta, levarei a Silvia para a casa dela, e dentro de quarenta minutos estarei na esquina do seus pais te esperando. Diga para seu noivo que você tem alguma coisa a resolver perto de seus pais logo pela manhã e prefere dormir lá esta noite, pare o carro na rua do lado, e me encontre.
Ofegante ele entrou no banheiro, respirou fundo, jogou água na cara, esperou uns minutos, e retornou a mesa, solicitou a conta, o noivo de Amanda insistiu em pagar a parte deles, mas o homem cruelmente lança, "Se quiser pagar, vai pagar tudo!", e o noivo sabendo o tamanho da quantia que estava naquele pedaço de papel, dentro de um belo encapado de couro, ele guardou sua carteira, fez uma brincadeira, e deixou com que ele pagasse a conta.
Ao sair, eles se cumprimentam, os olhares dele e de Amanda se cruzam, e cada um vai para seu canto.
O homem não tinha nada a perder, seu plano estava seguindo conforme o pensado, com algumas diferenças, mas como pensado. Ao pegar a estrada ele foi o mais rápido possível, e ao chegar ao destino, Silvia insistia para um "revival" do casal, falava palavras sussurradas, calmas, mas ele resiste a tentação, diz que tem de ir embora pela manhã, não seria possível.
Após deixar a ex-noiva em casa e com o tesão amargurado, ele se voltou feito um louco pela estrada, sem pensar. Ao chegar no local combinado, ele para o carro, rua vazia, nada de movimento, espera por quinze minutos, e ela não veio. Ele liga o carro, decepcionado, quieto, desliga o som, olha no celular o horário, e vem o cansaço daquele dia maluco, quando ele engata a primeira marcha, e olha para frente, lá vem ela, andando pela rua, olhando para os lados, garantindo que ninguém veja ela. Ela entra no carro, olha pro lado, abre um sorriso, para por uns segundos, ficando confusa, começa a dizer que não sabe o que ela tem na cabeça de estar ali, que ela só pode ser louca e ele no melhor sutil-ignorante, corta o assunto e pergunta para onde ela gostaria de ir. Ela pede para que ele escolha, exatamente como ele imaginou. Ele pergunta se ela gostaria de tomar uns drinques no bar do hotel e lá eles decidem o que fazer, e ela prontamente aceita o convite.
No caminho ela dava risada, as vezes nervosa, as vezes pura, e ele ria junto, afinal, que loucura era aquela, dois adultos, fazendo estripulias de adolescentes. Ao chegar no hotel, ele deixou o carro com o manobrista, seguiram até o bar, ele pediu uma água e um scotch, já ela, pediu martini, batido, não mexido e com duas azeitonas. Eles bebericavam e se entre olhavam, curiosos com a situação, começaram a conversar sobre coisas que ficaram paradas anos atrás, quando eles se separaram. Drinques mais tarde, ele a convida para subir ao quarto dele, ela aceita, eles sobem, se beijam, se deitam, e pela manhã, se despedem.
Ele retorna, feliz, completo, curioso, e com a euforia de um garoto, querendo contar pro primeiro amigo que ele visse pela frente, mas pela frente, só tinha mais estrada, e lá se foi ele, de volta pra casa.
Como assim??? Que carinha mais complicado !!!!! Pq ele simplesmente não ligou direto para Amanda e a chamou para Sair???? Eu heim, precisava mesmo armar esse circo? rsrsrs E outra coisa, o que o Brad Pitt tem a ver com o assunto!?? Tira ele da historia heim, ele ta aí nos Labels. Humph. Ta bem legal Fe, seus textos estão cada vez melhores. Beijoss.
ReplyDeleteSe você pensar direito, ele teve que armar tudo isso, por que, se fosse um convite direto, para que os dois jantassem, ela não iria. Com isso ele teve que armar um circo, para que ela fosse, sabendo que não correria o risco dele correr atrás dela... =D
ReplyDeleteE o Brad, foi tag automática do post.
hauhauahuahauhauh! Gostei muito desse! Esse cara é malandro, hein? xDD
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