Monday, November 22, 2010
Mudar.
Saturday, October 16, 2010
A Dança das Gotas
Friday, September 24, 2010
A Jornada.
Paris, 15 de Abril de 2011.
"Olho pela janela desse simpático hotel de bairro, não sei pronunciar o nome e nem mesmo sei em que bairro me encontro, desci na estação central, caminhei e chamei um taxi. Dizem que se você souber falar inglês, você pode conquistar o mundo. Fato, desde que comecei essa jornada maluca que começou em janeiro, não passei fome por saber falar inglês, mas como nem tudo é perfeito, as vezes, não saber a língua local pode te levar até alguns problemas desagradáveis, exemplo? Noite na delegacia por ter se enganado ao solicitar um café em uma charmosa praça em uma simpática cidade na Espanha, e você se pergunta, como isso foi possível? Aquela charmosa praça é o centro de distribuição de drogas no país. Cair na estrada com uma mochila, um computador e um smartphone pode ser inspirador, mas esquecer da vida e não consultar os mapas e os guias que passei meses recolhendo e adicionando ao celular, pode ser burrice.
Encerro essa breve passagem e retorno ao meu desafio, escrever."
Uma idéia de uma tarde pode resultar em tantas coisas, pobre escritor, não imaginou isso no começo, foi dominado ferozmente pelo impulso de correr pelo mundo, com o simples objetivo de escrever um livro e publicá-lo.
Entre meios, aquele jovem escritor tem um passado curioso, atraente em certos pontos e detestáveis em outros, mas quem não tem sua pitada de tudo no passado?.
Dizem que o jovem escritor nunca admirou suas obras, nunca as leu e tremia da cabeça aos pés quando alguém, não importava quem, tivesse a chance de ler algo de sua autoria. Ao longo do tempo, ele confessava aos poucos nunca ter revisado um texto, nunca tem lido um texto e todas as escritas em papel, dormiam escondidas em um lugar que só ele conhece, o medo de revelação é avassalador, mas mesmo assim, ele mantinha um blog na internet, onde entre uma crise e outra, ele despejava um capitulo de algo, um verso daquilo e etc.
A pressão daqueles que o conheciam por seus textos era imensa, de qualquer forma, aquele material precisava ser publicado, aquilo deveria obrigatoriamente atingir todos os cantos, daqueles que gostam de boa leitura, e na opinião dele, nunca.
A família sempre achou seus textos dentro da expectativa, dentro dos padrões familiares, na escola, as provas de redação eram as mais aguardadas, o seu instinto para uma escrita é a base dos bons escritores, o sentimento, o momento, o fundo musical e o fato mental. Mas ele sempre se achou inconstante, mas nunca teve conhecimento de uma frase completa de sua escrita, poucos sabem, mas existem diversos materiais de sua autoria escondidos em um local secreto, entre eles, scripts para cinema e curta-metragem, poesias, monólogos, contos, resenhas, peças de teatro, simples frases, simples pensamentos derrubados e até mesmo uma meia dúzia de livros com diversos teores.
Mas ao escrever um texto num certo dia chuvoso, úmido, gostoso de se apreciar, com as nuvens alternando entre o cinza, o preto, o branco, o gelo, os pássaros fazem a sua dança entre as pesadas e bem recebidas gotas que molham e desenham um negro asfalto pela cidade, ele se deu conta que estava em um período em sua vida, onde decidir o próximo passo merecia cuidado e atenção redobrada, mas era hora de fazer alguma coisa.
Ele resistiu firmemente em ler qualquer coisa de sua autoria, mas passa tardes e noite rolando entre seus textos e apenas olhando o nome de cada um, e apesar de nunca ter lido, só de olhar o nome, sabe o teor, a história por trás, o sentimento e a ocasião em que foi escrito.
A decisão foi tomada, escrever era o objetivo, publicar, vender, mostrar? Era um processo em andamento, mas escrever era a vontade, escrever pelo mundo, escrever pelas experiências, transformar os minutos vividos em páginas e mais páginas. Mas já foi o tempo em que um escritor poderia apenas viver de palavras, dar-se a liberdade de tirar um ano de sua vida, para ser um vagabundo completo, pelo mundo.
Ele começou com os sonhos em sua mente de como poderia ser uma experiência sobre tamanha jornada, escrevia cada pensamento, relatava cada sonho com os mínimos detalhes, mas não passava de sonhos, como toda a sua vida foi, sonhos.
Já beirando a desistência e botando o pé no chão, lembrando de como é a vida real, ele relatou em seu blog:
"Caminhava com certa insanidade na face molhada, as gotas minerais entravam em colisão com o suor que brotava dos poros e se tornavam uma única gota, a adrenalina subia calmamente entre os espaços de suas veias, o sangue afinado dividindo o espaço de sua casa com correntes de um liquido alcoólico, que os faziam trabalhar em dobro, em velocidade acelerada.
Os turbilhões e turbilhões de sentimentos resolveram se exaltar naquela seca e gélida noite, a trilha sonora já não faziam mais efeitos sobre a mente dominada por pensamentos, as velas postas para transformar aquela noite em uma noite pacifica, acompanhavam os movimentos brutais daquela figura pálida, magra, com profundas olheiras abaixo de seus olhos. A segunda garrafa de vinho já se encontrava caída em um canto, vazia, inerte ao momento, a taça, quebrada ao outro extremo, sua mão sangrava por baixo da camiseta branca que servia de gaze para estancar o sangue e ao mesmo tempo confortava as lágrimas que saindo de um olhar morto e intenso, como de um corpo já abatido junto ao chão, em que o olhar é profundamente morto, mas intenso em sua ultima direção.
Ele se sentia mentalmente cansado daquela pressão que tinha se colocado, em um breve momento de surto, abdicou-se de todo trabalho, rascunhos, matéria prima e tudo que viu pela frente em sua simples e fraca mesa de trabalho, buscou ferozmente a lata de lixo aos fundos da casa, jogou tudo para dentro daquele abismo escuro que era a lixeira, um grande recipiente de metal enferrujado, que a iluminação das velas transformava em um abismo sem final, não se enxergava o fundo daquele recipiente. Juntou um punhado de produtos de limpeza, embebedando todo aquele material, agarrou firmemente uma das velas próximas e parou diante daquela cena, olhou em volta, sentiu o corpo recuar em suas ações, suas pernas amoleceram, suas lágrimas já acumuladas em seu rosto e olhos, transformavam qualquer visão em simples borrões, coloridos, intensos, confusos. E no movimento que fez com o corpo para se sentar no chão de madeira encarpetada de sua sala, soltou a vela de sua mão, dentro do abismo.
Se recolheu em um canto do cômodo e esperou queimar, lentamente, todo seu trabalho."
Pela manhã, se limitou em dizer que o projeto que tanto sonhava naqueles tempos, estava decretado, estava sacramentado ao fim.
Ele passou dois meses desaparecido, não havia noticias sobre o jovem escritor desde aquele episódio, não atendia as ligações, não aparecia mais nas redes sociais, não respondia mensagens e até mesmo a família não sabia mais do paradeiro dele.
Certa manhã, ele despertou de seu sono e ligou o celular, coisa que não fazia já havia um longo tempo, naquele quarto escuro e misterioso, que foi rapidamente engolido pela claridade do aparelho que ele encarava com certa curiosidade de seu ato. Por um momento achou que estava cometendo um erro e derrubou o aparelho na outra extremidade da cama bagunçada, entre edredons e lençóis e caiu no sono novamente. Pouco tempo depois foi desperto pelo toque do celular, que ele seguiu prontamente na direção de desligar, porém, um número desconhecido apeteceu sua curiosidade e o fez deslizar o dedo do botão vermelho para o verde e atendeu a ligação.
O telefonema durou cerca de duas horas, ele já de pé, ligando sua cafeteira e aquecendo o croissant da semana passada, estava viajando entre as horas da ligação daquele misterioso homem, que tinha um único objetivo em ligar, dizer que fazia dois meses que tentava entrar em contato e era um remanescente da boa leitura e estava disposto em resgatar aquele talento supostamente perdido e tinha o convite de patrocinar sua viagem pelo mundo em busca de uma boa escrita e lhe daria o tempo que fosse preciso para se decidir em aceitar o convite.
Demorou mais um mês para ligar novamente seu celular e ligar para sua mãe e dizer que estava vivo e escutar poucas e boas sobre seu desaparecimento. Contou-lhe a estranha ligação que havia recebido no mês anterior e que algo dizia-lhe para aceitar o convite, o que prontamente sua mãe concordou, mas sempre deixando o alerta ligado, afinal, boas almas no século 21, é algo que dificilmente existe.
Hoje ele se encontra em Paris, após três meses de viagem, já é seu quarto país e seu livro, bom, seu livro ainda está preso na página 13, mas algo lhe diz que ao fim de sua jornada de um ano, ele terá material o suficiente para dois livros. A única condição do misterioso homem, era que finalmente ele publicasse sua literatura e deixasse o mundo decidir se era válido ou não e que com o tempo, o jovem escritor acabaria lendo sua obra e descobrindo que não perdeu tempo, apenas adquiriu experiência.
Tuesday, September 21, 2010
Lição do dia.
Foi em um daqueles momentos de curta compreensão, de difícil assimilação, onde duas mentes pensam iguais e os corpos reagem de forma obscura, se atraindo de forma incompreensível, se abstendo do mundo, dos ideais, dos princípios e simplesmente se entregando ao momento.
Naquele ambiente escuro, envolto aos amigos, as bebidas, a excitação, ele sempre se preocupava em cuidar, se mostrar presente e sem entender os motivos daquilo, fazia-os com tamanha destreza que deixava os mais céticos impressionados.
As luzes se apagavam, acendiam, de forma inconstante enquanto ele admirava o brilho daqueles olhos escuros, da pele lisa e com um leve toque de inocência. Parecia que fazia anos que já se conheciam, mal sabem que faziam apenas poucas horas de pura intensidade dos sentimentos.
Por um breve momento de confusão, ele não resistiu, se aproximou, olhou fundo naqueles olhos que brilhavam como de uma menina que tinha ganho um doce após uma conquista pessoal, e levemente passou a mão em seus cabelos, acertando-os de forma uniforme com o contraste de seu rosto, acentuando as curvas da pele e fazendo o momento durar horas, mas como clichê, foram apenas segundos e todo aquele silêncio do momento sumiu em meio ao turbilhão de barulhos e vozes exaltadas em sua volta e trazendo os sentidos de volta do mundo dos desligados.
Fosse ao oferecer um gole de seu drink, fosse num reflexo ligeiro de sua sombra dançando envolto as luzes do ambiente, ele procurava mandar esses sentimentos para longe, afinal, o que ele está pensando?
Já na madrugada daquela noite fria, as pessoas decidiram ir para outro lugar, um taxi foi solicitado e o rumo decidido, ele não consegui se concentrar no que as pessoas falavam, quais eram os comentários, as risadas, mas ele tinha o olhar fixo e o pensamento travado em um destino só, e tudo sem, sem perceber.
Envolto aqueles pensamentos numa rua residencial bem gélida, ele se via admirando aquela beleza exterior e contemplando o brilho intenso feito cristais, que é seu interior. Ele já não ligava se as pessoas percebiam, ele queria que ela percebesse, que ela notasse, que ele fosse sua atenção.
Já embrenhado na escuridão e com a pele seca graças ao vento gélido, ela anunciou sua ida, despediu-se de todos, mas ao se aproximar dele, aquele momento se repetiu, olhares profundos, respiração pausada e um beijo, um beijo de tchau. Ambos aproximaram as faces e acidentalmente os lábios se tocaram, ao menos, ele pensou que fosse acidental, mas as batidas dos corações eram uma pura sincronia, de fato, aquilo acontecera e ao desgrudar os lábios, as faces, a troca de olhares foi pura, sincera e confusa.
Ele logo se deu conta, estava sim, apaixonado.
Mas ele logo se deu conta, envolto em lágrimas, ela não.
O mais difícil, é que ele nunca aprende, ele nunca consegue lidar com essa situação.
E o que mais lhe dói, ela não vai entender.
Thursday, August 12, 2010
Casos de Um Caso.
Saturday, June 5, 2010
Correndo Atrás de um Sonho (Parte 2)
Retornando ao mundo real, ele ouviu de fato o que o empresário falava e o cumprimentou como se nunca tivesse visto-o antes e ao mesmo tempo, dando leves olhadas para trás, procurando notar se aquela mulher tão linda estava voltando ou procurando qualquer sinal de que ele havia sido notado por ela.
Passado esses minutos de saudações, o empresário prontamente o convidou a entrar no galpão e conhecer o restante da banda, que estavam ansiosos para saber mais sobre o tão paradisíaco país do samba, e sem perceber, já estava entrando no local que por fora parecia um simples galpão industrial abandonado, mas por dentro tinha um charme único. Logo na entrada possuía um pequeno lounge com largos sofás de couro, uma mesa de centro feita de madeira rústica, tapetes persas típicos dos que são usados em palcos por diversos artistas, uma mesa mais ao canto com uma garrafa de café e outra de chá, havia também uma televisão de LCD grudada na parede, que estava desligada e todo aquele ambiente de entrada estava vazio, mas cheio de chaves, blusas e outros pertences de pessoas que mais cedo certamente estiveram ali. Ele admirava aquele espaço como poucos, nas costas de um dos sofás, existia um grande vidro acústico, que separava a entrada de uma outra sala, começava ele a pensar que aquilo era mais um labirinto cheio de salas do que um antigo galpão. Ao cruzar o pequeno lounge em direção a segunda sala, o empresário recebeu uma ligação e pediu um instante, se dirigindo para fora do local mas solicitando que o rapaz ficasse a vontade e que fosse entrando por ai, perguntando, conhecendo. Ele ficou por um certo tempo receoso, tenso, travado, afinal ele estava a poucos metros (ou salas) de conhecer outros personagens de um sonho, e aquela excitação do momento se transformou em timidez, mas ao se ver naquela posição de indecisão, teve uma grande surpresa, uma mão macia tocará seu ombro, um perfume suave se encontrava com suas narinas e uma voz limpa, de baixo tom e mais feminina impossível lhe dirigiu a palavra:
- Perdido? - disse a mulher que tanto custará para ser encontrada.
- Perdido não é bem a palavra, mas, podemos dizer que sim.
Ela deu um suave sorriso, diferente daquele dado mais cedo, com certa timidez e apreensão.
- Vem, eu te mostro o resto e te apresento pro pessoal.
- Sério? Primeiro as damas. - abrindo espaço e indicando o caminho.
- Obrigado. - disse ela mostrando novamente aquele sorriso acanhado de antes.
Eles entravam na segunda sala e ele ia apreciando aquele segundo ambiente, que notoriamente era a sala de mixagem e controle de gravação, cheio de mesas de som, computadores modernos, estantes cheias de aparatos eletrônicos, telas de LCD espalhadas pela sala com diferentes imagens de mixagem e outras coisas. No centro, na mesa de som principal, estava sentado o engenheiro de áudio, um rapaz de trinta e tantos anos, de aparência jovial e que sempre acompanhava a banda em todos os lugares, ele era conhecido como o "Pope", devido ao fato de suas mágicas na engenharia, criando sempre os melhores esquemas de som em qualquer lugar que eles fossem tocar. Nessa sala possuía mais um jogo de cadeiras e outro sofá, paredes cheias de isolamento acústico, caixas de som para todos os lados. Do lado direito possuía mais duas portas, no lado esquerdo mais uma, que dava acesso ao "aquário", como se é conhecido a área onde ficam os artistas, instrumentos e tudo mais.
Ao ser apresentado ao engenheiro, o rapaz apertou-lhe a mão com força e animação, dizendo palavras soltas e perdidas sobre como ele sempre quis conhecer as casas de show do Brasil, que ele adoraria conhecer as praias caso eles tenham tempo...Mas enquanto o engenheiro falava, ele só conseguia prestar atenção nela, no rosto, em como ela reagia a cada frase espalhafatosa do engenheiro, que certamente era um dos mais divertidos e calorosos de toda a equipe, e seguido de todo esse clima ele disse:
- Se meus planos derem certo, vocês vão conhecer as praias, as casas de show e os lugares mais especiais que o Brasil pode oferecer. - dando um leve sorriso que só animava mais ainda o engenheiro.
A moça vendo que o engenheiro não iria parar tão cedo de falar sobre suas idéias e planos para o Brasil, tomou a frente e disse que precisava mostrar o resto do lugar e apresentar o resto do pessoal ao rapaz, e com um aceno desengonçado, o "Pope" abriu-lhes o caminho para seguir aquele tour. Ela indicou as duas portas a direita, onde uma estava escrito "Toalete" (no melhor estilo inglês de ser) e na outra "Divirta-se", intrigando-lhe os pensamentos e soltando sem pensar uma cara confusa que a moça logo percebeu e caiu na risada, deixando-o mais tímido que já estava, abaixou a cabeça e caiu no riso junto com ela, que prontamente caminhou para a sala que tantas risadas tinham causado naquele instante.
Lá dentro ele não sabia se estava num quarto de um adolescente, no seu próprio escritório ou naqueles lugares que todo shopping tem, onde as mães deixam as crianças para brincar enquanto fazem suas compras, e ali, parado olhando aquele caos, ele percebeu que ela olhava da mesma forma e imaginou que todos que entram ali devem pensar a mesma coisa todas as vezes.
Diferente das outras salas, em estilo rústico e acolhedor, ali as paredes eram brancas, com luzes coloridas no teto, diversos computadores e antenas de internet sem fio, duas televisões ligadas em dois diferentes video-games, vários pufes de cores gritantes espalhados pela sala e uma maquina de refrigerantes e outra de salgadinhos, definitivamente, aquele lugar era um lugar perfeito para se divertir e relaxar após horas de trabalho.
Após olhar com detalhes a sala de diversões, ele notou que ela estava sentada em um dos pufes, com um MacBook no colo e vendo um email, e quando percebeu que ele à olhava com um tom de analise e com algum sentimento que ela não conseguia definir, ela se acanhou e pediu um segundo, que ela estava terminando de ler um email, mas era coisa rápida. Enquanto isso, ele rondava pela sala, pegou uma Coca-Cola para molhar a garganta e bebeu-a como se tivesse corrido uma maratona. Após alguns minutos, um dos integrantes da banda entrou na sala dizendo:
- Maria, já chegou o cara que vai vir hoje? - perguntava um dos vocalistas da banda.
- Aquele ali serve? - indicando onde o jovem rapaz estava parado olhando com admiração para o homem que recém entrara na sala.
Eles se cumprimentaram, trocaram algumas palavras sobre o prazer que ele sentia de estar ali e sobre o quanto a banda estava contente pela visita e que todos estavam ansiosos pela chegada dele dentro do aquário. Sendo assim, a moça já havia terminado de ler seu email, estavam todos se encarando e decidiram seguir ao aquário, o vocalista saiu primeiro, e o rapaz se encaminhava para sair em sequência mas não percebeu que a moça também teve a mesma idéia, resultando num choque lateral entre eles na pequena porta, ele corou, andou para trás e pedia desculpas em sequência, como se tivesse feito-lhe algum mal e ela risonha disse para ele deixar de bobagem e seguiram os passos até o outro extremo da sala, passando pelo engenheiro que balançava a cabeça ao som de alguma coisa em seus fones de ouvido e nem percebera a passagem deles pelas suas costas.
Ao entrar na porta que em cima estava escrito "Dark Room", achou curiosa a escolha do nome e lembrou no mesmo instante de uma das primeiras músicas da banda, que possuia o mesmo nome da sala que estava entrando. Ali dentro era um cubículo muito apertado com grossas camadas de isolamento acústico e que ali junto com um grande eco, tinha uma grossa porta de madeira, que por fim dava acesso ao aquário, ali, naquela pequena passagem, compreendeu o sentido do nome da sala, afinal, ali é escuro, pequeno, com eco e lembrava mais uma sala acolchoada de um manicômio, mas ao invés de ser branco, era acinzentado e sem iluminação.
Seguiram para dentro do aquário onde várias pessoas estavam lá dentro, ele de imediato reconheceu todas, sendo cumprimentado e aplaudido pelo fato de estar levando o grupo para fora da Europa, sendo que o máximo já caminhado pelo grupo foi o Oriente Médio e o Egito. Após finalmente trocar algumas figurinhas com todos aqueles que ele só conhecia o trabalho de cór e por vídeos, o grupo resolveu começar o ensaio para um show que fariam em dois dias, na quinta-feira, em Bruxelas na Bélgica.
O rapaz se acomodou em uma poltrona ao canto esquerdo daquela sala, o aquário, que era grande, com um carpete cinza no chão, paredes de madeira com revestimento acústico, com uma iluminação mediana com uma luz branca, que não dava conta de iluminar todo o lugar, que no fundo tinha uma bateria montada, ao lado caixas de som, o baixista, em baixo no lado direito e no esquerdo, um de frente pro outro, os dois pianistas/tecladistas no meio em bancos de barzinhos o vocalista principal, a moça vocalista, o outro vocalista que ele conhecera mais cedo na sala de diversões, já de pé os dois guitarristas e um monte de equipe técnica espalhada por todos os lados com equipamentos extras e coisas que serão usadas durante o ensaio.
Ao darem o primeiro sinal de começarem a tocar, seu celular que estava no fundo do bolso começou a tocar e trazendo ele de volta ao mundo real e assim, quebrando todo o clima que estava se criando naquele momento, pediu desculpas para todos, e entrou na "Dark Room" para atender o telefonema sem ser atrapalhado e sem atrapalhar, quando sacou o telefone do bolso, viu no display de seu iPhone, o nome de seu gerente, que estava em São Paulo cuidando de tudo e feito um louco tentando mudar as datas dos compromissos que o jovem rapaz simplesmente mandou desmarcar para passar uns dias com a banda. Ao atender, o gerente com um tom de cansaço e stress, perguntou como estava indo com a banda, ele positivamente respondeu, tranquilizando o rapaz do outro lado da linha, que pelo visto, estava tendo um dia bastante complicado no trabalho. Ao fim da ligação, o gerente perguntou-o quando ele iria retornar para São Paulo, mas ele não soube achar a resposta e preferiria responder essa pergunta, mais tarde.
Terminada a ligação, ele rumava dentro do pequeno espaço que era a "Dark Room" com destino o retorno ao aquário, mas ao parar pouco antes de se aproximar da porta, teve uma imagem limpa e direta para ela, Maria, que por um acaso, cantava naquele exato momento e por um breve momento, os olhares se encontraram e uma conexão intensa foi feita entre eles. Ele travou onde estava, não ia nem para trás, nem para frente, ela, errou a letra, ficou tensa, pediu um instante que ia jogar uma água no rosto e sabendo que o único meio de fazer isso, seria cruzando aqueles olhares novamente, a banda parou, começaram a conversar sobre tocar a próxima música enquanto ela rumava para a porta da Dark Room, ao fundo, começou-se a tocar uma das músicas preferidas dele e uma das mais longas que já escutara em sua vida, cerca de 20 minutos de duração e possuindo um clima de tensão e emoção, um fundo musical perfeito, ele ainda guiando os olhos pelo vidro e vendo aqueles olhos negros se aproximando e com uma intensidade descomunal, a porta se abriu, um vácuo entrou naquele pequeno espaço escuro, com uma única fresta de luz que iluminava parte de seu rosto gélido naquele instante, ela parou, olhou-o firmemente por alguns segundos, ambos se olhavam, se estudavam, se conheciam pelo interior, sem palavras, silêncio na Dark Room, ao fundo, como se estivessem dentro do mar, vinha aquele som ambiente que criava aquela tão adorável música, até que ela despertou de um vácuo de pensamentos, sorriu e seguiu para fora da Dark Room, ele acompanhou o andar dela, que ao abrir a outra porta, tornou a olhar para trás, procurando ver se ainda tinha o olhar dele procurando o dela, novamente os olhares se cruzaram, mas desta vez, ela preferiu evitar como se algo estivesse errado e ele...ele se sentia apaixonado, intensamente apaixonado.
Antes de entrar no aquário novamente, ajeitou o terno, jogou uma bala de menta na boca e invadiu aquele monstruoso espaço de som que tinha uma vibração enérgica incrível, algo que ele nunca tinha sentido antes na vida.
Ao término do ensaio, ele se sentia como se andasse nas nuvens, como se acabasse de ter um show particular, feito exclusivo para ele, algo que dava-lhe múltiplos arrepios, sentia sua corrente sanguínea aquecer centímetro por centímetro do seu corpo gélido pelo clima local e pelo ar-condicionado do ambiente, enquanto todos se moviam pelo aquário, recolhiam suas coisas, uns iam para o banheiro, outros para a Mix Room, outros para o lounge, a sala da diversão...para todos os cantos, e ele não conseguia sair daquela poltrona, estava ainda degustando cada minuto que tinha se transcorrido pelo tempo, e quando se deu conta, aquela voz suavemente feminina despertou ele do sonho, que só ficou mais surreal ainda.
- Gostou? - disse ela procurando não olha-lo nos olhos.
- Estou num transe que só sua voz para me retirar dele - sorrindo suavemente.
- Que bom - tentando ignorar as últimas palavras ditas por ele - , estamos praticamente de saída, vamos ficar só planejando os detalhes pro show de quinta, quer nos acompanhar?
- Claro, mas... - sendo interrompido pelos seus pensamentos.
- Então vamos... - cortando ele sem pensar duas vezes, receosa com o que seria dito.
Ele então se levantou com um estampido, analisou rapidamente e percebeu que o aquário estava vazio, apenas alguns membros da staff que carregavam os instrumentos para um acesso na parte de trás, que dava direto nos caminhões que iriam levar os equipamentos na viagem.
- Quer jantar comigo ho... - respirando ofegante começou a perguntar, mas foi interrompido por membros da banda que os procuravam.
- Eu ouvi a palavra "jantar"? Vamos ver se o pessoal está com fome, é uma boa idéia irmos comer juntos, conversar mais. - disse o baterista.
Por um momento ele odiou aqueles homens que tanto idolatra, mas não podia perder a pose, recorreu ao seu sorriso e ao disfarce, prontamente aceitando o convite e indicando o restaurante do hotel onde estava hospedado, o The Langham, e todos os presentes concordaram no mesmo instante.
Maria respirava aliviada e tensa ao mesmo tempo, pelo fato de ter se livrado de responder aquele convite mas ao mesmo tempo por não entender o sentimento que rondava sua mente naquele instante, quem é o tal misterioso jovem que apareceu do nada, e em tão poucas horas está fazendo a mente dela sair do corpo e revelando sentimentos desconhecidos, confortos e desconfortos desconhecidos, ela se perguntava incessantemente, quem é ele?!
Após todos consultados e de acordo com o jantar, cada um entrou no seu carro ou no que tinha vindo acompanhado, para rumar ao The Langham, mas o jovem rapaz ficou inerte na frente do galpão, retirando o celular para pedir um taxi até que uma voz convidou-lhe para uma carona, mas não era ela, ele teve esperança, mas não era, era o empresário da banda.
Já no lobby do hotel, todos aguardavam o maitre chamar para a mesa selecionada, enquanto isso, conversavam sobre tudo, música, viagens, comida, bebidas, tudo que era possível estava sendo retratado ali, mas o jovem só tinha olhos para onde estava a bela mulher, e por um breve momento, notou que ela estava incrivelmente concentrada em algum tipo de pesquisa em seu BlackBerry, mas ele procurava não olhar muito, até mesmo por que, ela estava profundamente concentrada na pesquisa ou o que quer que fosse aquilo.
Alguns minutos depois, alguns decidiram aguardar no bar e o jovem resolveu seguir esses passos, por que um drink, lhe cairia monstramente bem, e o bar era bem localizado para o lobby, poderia observar com firmeza a bela dama que tão profundamente estava em seu smartphone.
Cerca de 20 minutos depois, enquanto aguardavam a tão demorada mesa, e alguns goles pesados de scotch e agora sorrateiras bebericadas, ele estava empolgado com a conversa entre os membros que ali estavam, que perdeu por uma fração de tempo o seu ato de observar a bela dama, e quando seus olhos foram a procura dela, ela havia sumido. Ficou tenso, confuso, mas, era um jantar basicamente entre amigos, teria ela ido embora?! Mas surpreendentemente, pelo seu lado contrário, ela tocou lhe o ombro, pediu um Vinho, e em bom som perguntou-lhe:
- Por que você não nos acompanha no show em Bruxelas? - com tom intimidador.
Ele ficou sem reação, inerte de respostas, enquanto os membros ali presentes achavam a idéia incrível, mas ele, não compreendia o convite tão misterioso, vindo, diretamente dela.
To be continued...
Quer saber como vai ser em Bruxelas? E a mini-turnê no Brasil?!
Desta vez não levarei um ano para seguir com essa aventura, semana que vem, teremos a parte 3!