Foi em um daqueles momentos de curta compreensão, de difícil assimilação, onde duas mentes pensam iguais e os corpos reagem de forma obscura, se atraindo de forma incompreensível, se abstendo do mundo, dos ideais, dos princípios e simplesmente se entregando ao momento.
Naquele ambiente escuro, envolto aos amigos, as bebidas, a excitação, ele sempre se preocupava em cuidar, se mostrar presente e sem entender os motivos daquilo, fazia-os com tamanha destreza que deixava os mais céticos impressionados.
As luzes se apagavam, acendiam, de forma inconstante enquanto ele admirava o brilho daqueles olhos escuros, da pele lisa e com um leve toque de inocência. Parecia que fazia anos que já se conheciam, mal sabem que faziam apenas poucas horas de pura intensidade dos sentimentos.
Por um breve momento de confusão, ele não resistiu, se aproximou, olhou fundo naqueles olhos que brilhavam como de uma menina que tinha ganho um doce após uma conquista pessoal, e levemente passou a mão em seus cabelos, acertando-os de forma uniforme com o contraste de seu rosto, acentuando as curvas da pele e fazendo o momento durar horas, mas como clichê, foram apenas segundos e todo aquele silêncio do momento sumiu em meio ao turbilhão de barulhos e vozes exaltadas em sua volta e trazendo os sentidos de volta do mundo dos desligados.
Fosse ao oferecer um gole de seu drink, fosse num reflexo ligeiro de sua sombra dançando envolto as luzes do ambiente, ele procurava mandar esses sentimentos para longe, afinal, o que ele está pensando?
Já na madrugada daquela noite fria, as pessoas decidiram ir para outro lugar, um taxi foi solicitado e o rumo decidido, ele não consegui se concentrar no que as pessoas falavam, quais eram os comentários, as risadas, mas ele tinha o olhar fixo e o pensamento travado em um destino só, e tudo sem, sem perceber.
Envolto aqueles pensamentos numa rua residencial bem gélida, ele se via admirando aquela beleza exterior e contemplando o brilho intenso feito cristais, que é seu interior. Ele já não ligava se as pessoas percebiam, ele queria que ela percebesse, que ela notasse, que ele fosse sua atenção.
Já embrenhado na escuridão e com a pele seca graças ao vento gélido, ela anunciou sua ida, despediu-se de todos, mas ao se aproximar dele, aquele momento se repetiu, olhares profundos, respiração pausada e um beijo, um beijo de tchau. Ambos aproximaram as faces e acidentalmente os lábios se tocaram, ao menos, ele pensou que fosse acidental, mas as batidas dos corações eram uma pura sincronia, de fato, aquilo acontecera e ao desgrudar os lábios, as faces, a troca de olhares foi pura, sincera e confusa.
Ele logo se deu conta, estava sim, apaixonado.
Mas ele logo se deu conta, envolto em lágrimas, ela não.
O mais difícil, é que ele nunca aprende, ele nunca consegue lidar com essa situação.
E o que mais lhe dói, ela não vai entender.
OH MY !!!!!!!!!!!
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